Antes de tudo, o que é ser neurodivergente? Esse termo é usado para falar sobre as diferenças que existem no funcionamento do cérebro de algumas pessoas. Elas geralmente estão na contramão daquilo que a sociedade entende como "padrão". Pessoas autistas, disléxicas, bipolares e com vários outros transtornos costumam se encaixar neste espectro.
Voltando à pergunta. A resposta é não: a acessibilidade do sistema financeiro (em especial dos bancos tradicionais) ainda é muito baixa para pessoas neurodivergentes, que enfrentam obstáculos quando buscam por instituições financeiras para lidar com o próprio dinheiro.
Resolver um problema no banco te parece complicado? Para pessoas autistas ou disléxicas, por exemplo, pode ser ainda pior. Barreiras, burocracias, excesso de documentação e espera, tudo isso se torna mais complicado, e quanto maior o número de estímulos externos, maior é o incômodo, assim como as chances de crise.
Por que isso importa? Pense nas adaptações essenciais com as quais a sociedade já está mais acostumada (mesmo que ainda sejam bastante falhas). Uma pessoa com mobilidade reduzida precisa de rampas para se locomover, uma pessoa com deficiência visual precisa de um texto em braile… Mas, no caso de quem tem um funcionamento neurológico que é tido como fora do padrão, essas demandas quase nunca são consideradas.
É aí que a burocracia dos bancos dificulta muito. Ações que poderiam ser simples, como abrir uma conta ou resolver uma pendência no cartão, passam a ser um grande problema — e se um espaço coletivo não é inclusivo para uma pessoa, ele não é inclusivo para ninguém.
Como mudar esse cenário? Às vezes, tudo o que uma pessoa precisa é de menos etapas no processo. Conversamos com pessoas neurodivergentes e também com a psiquiatra Rosa Magaly de Morais para refletir sobre a missão das fintechs de romper com as burocracias do sistema financeiro e torná-lo mais inclusivo.
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